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As mulheres e o seu papel fundamental nos valores culturais de uma comunidade

Domingo, 05.05.13

  

Este post é dedicado às mulheres, às mulheres que seguem os valores da verdadeira responsabilidade por si próprias, pela defesa do seu lugar e papel numa comunidade e país, na forma como lidam com os mais próximos, pelos valores que transmitem aos filhos.

 

Contrariamente ao que se julga, aceitar a própria vulnerabilidade e desamparo, é o primeiro passo para a verdadeira autonomia. E é a forma saudável de não se deixar entalar no papel de vítima.

A vítima receia o agressor, é o medo que a transforma numa vítima.

Quando uma pessoa aceita a sua própria fragilidade e é capaz de ultrapassar a tentação de se identificar com os falsos heróis como compensação, torna-se mais forte e vacinada contra a vitimização (conformismo).

É na sua capacidade de empatia com os outros seus iguais no desamparo e na fragilidade, próprias da sua humanidade, que se torna mais forte e vacinada contra a lógica da violência, a sedução de discursos competitivos e bélicos, e distingue perfeitamente a mentira (artificialidade) da verdade (autenticidade).

 

A história está cheia de mulheres que seguiram a lógica do poder através do filho, incutindo-lhe os valores da cultura do egocentrismo, do culto do herói, da competição em que só o mais forte sobrevive. No fundo, o seu amor maternal é contaminado e adulterado pela manipulação, pela linguagem do poder. Assim se explica o sentimento de posse, o filho é um prolongamento de si, não é um ser livre.

Também o fazem através do exemplo que dão às filhas, de alguém que se rendeu à lógica do poder e o utiliza na forma em que se tornou especialista: na manipulação, no sentimento de posse. As filhas, também elas, se renderão ao culto do herói (e da heroína que o manipula).

Hoje vemos uma transição: enquanto as suas mães utilizaram a sua imagem (aprovação social) e culpabilizaram os homens e filhos de não serem suficientemente homens, de não conseguirem a tal promoção, etc, exibindo o homem e os filhos como troféus, as suas filhas levaram esta cultura mais longe utilizando-a na promoção da sua carreira profissional, mimetizando o papel competitivo masculino.

 

Se estas foram as únicas possibilidades de sobrevivência das mulheres num mundo masculino? Certamente. Mas será que hoje a lógica do poder e da manipulação são formas saudáveis de afirmação do papel da mulher?

Lembrar que hoje temos um lugar e um papel na comunidade, podemos intervir e participar, porque muitas mulheres se colocaram em perigo e foram afirmando a sua voz sem seguir a lógica do poder, sem perder a capacidade de empatia e compaixão.

As mulheres podem participar numa mudança cultural profunda, tal como esta corajosa advogada iraniana Shirin Ebadi:

 

 

 

 

As mulheres podem perpetuar a linguagem do poder masculina através da influência cultural sobre os filhos, nos rapazes sobretudo, mas também nas filhas, ou podem romper com essa lógica dominante e cultivar a cultura da colaboração, do respeito por si próprio e pelo outro, da empatia e compaixão, da verdadeira autonomia.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:42








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